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14/11/2018 - 09h30m

INVESTIGAÇÃO

Deputado Olyntho Neto nega envolvimento no escândalo do lixo hospitalar e diz que não sabe onde o pai está

Deputado Olyntho Neto negou envolvimento no escândalo do lixo hospitalar e disse que não sabe onde o pai está

O deputado estadual Olyntho Neto (PSDB) falou pela primeira vez sobre o escândalo do lixo hospitalar. Ele é apontado pela polícia como dono de empresas que deveriam funcionar no galpão onde quase 200 toneladas de lixo foram encontradas. Também seria proprietário de um caminhão onde foram encontrados tonéis com lixo hospitalar. Além disso, o pai dele, o ex-juiz eleitoral João Olinto, seria um dos sócios da empresa que descartou os resíduos de forma irregular no distrito agroindustrial de Araguaína.

Em reportagem da TV Anhanguera, Olyntho Neto negou envolvimento da família no esquema. "Eu tenho certeza que tudo vai ser esclarecido. Acho até uma arbitrariedade, que antes de ouvi-los [o pai e as sócias] foi pedida a prisão, mas é o preço que a gente paga por eu estar envolvido com a vida pública", disse.

João Olinto e as outras duas sócias da empresa Sancil Sanantonio Construtora e Incorporadora LTDA, Ludmila Andrade de Paula e Waldireny de Souza Martins, tiveram a prisão decretada e são considerados foragidos. Nesta segunda-feira (12), o governo do Estado suspendeu o contrato com a empresa para a coleta de lixo de 13 hospitais do estado.

A Secretaria Estadual de Saúde disse que contratou a empresa em caráter emergencial, sem licitação. Seriam pagos R$ 557 mil por mês, mais de R$ 6 milhões por ano, pelo serviço. O contrato foi assinado no dia 7 de agosto pelo secretário Renato Jayme e a sócia Ludmila Andrade de Paula, da Sancil Sanantônio.

O secretário reconheceu que a empresa não tinha capacidade técnica para o trabalho. "Cabe à administração pública e o direito público, ele parte do princípio da boa fé [...] a empresa responsável deveria apresentar toda a documentação, inclusive o relatório do GPS de onde ele monitora o lixo, o certificado para ver se tem o tratamento adequado. Então é uma obrigação nossa, do estado, fazer esse acompanhamento."

O governador Mauro Carlesse (PHS) afirmou que não sabia dos problemas enfrentados com a empresa. "O secretário da saúde que tem que fazer esses critérios. Eu não tenho, porque é muita coisa para gente ver, então a responsabilidade do secretário é justamente isso, é saber se aquela empresa tem condições ou não de atender o Estado."

Apesar dos danos ambientais e da contratação de uma empresa, pela Prefeitura de Araguaína, para retirar o lixo do galpão irregular, segundo o secretário não houve prejuízos pros cofres públicos.

Investigação

 Empresas do deputado Olyntho Neto e do pai dele foram ligadas ao lixo hospitalar encontrado no galpão

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. Foi verificado que o lixo encontrado em Araguaína também saiu de outros hospitais do estado. Os investigadores suspeitam que o pai do deputado tenha usado laranjas para fechar o contrato com o governo.

"Ele tinha a função de coordenar os trabalhos da Sancil por interpostas pessoas. Ele não constava na relação de sócios da empresa, mas ele utilizou de duas funcionárias do escritório de advocacia para o fim de constituir essa empresa", relatou o delegado Bruno Boaventura.

O deputado Olyntho Neto, que é o líder do governo do estado na Assembleia Legislativa, disse que não sabe do paradeiro do pai. "Meu pai acabou de passar por uma cirurgia, há muito pouco tempo. Eu não sei onde meu pai se encontra hoje e tenho certeza que tudo vai ser esclarecido da melhor maneira possível", afirmou. (G1)

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