O fortalecimento da alfabetização nas escolas indígenas do Tocantins também conta com a participação de professores do Bico do Papagaio, incluindo representantes de Maurilândia do Tocantins, São Bento do Tocantins e Tocantinópolis. Os educadores participam do II Ciclo Formativo do Programa Alfabetiza Mais TO, promovido pelo Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc). A formação começou nesta terça-feira, 27, e segue até quinta-feira, 29, na Escola de Gestão Fazendária, em Palmas.
O encontro reúne 145 professores das redes públicas estadual e municipais e tem como objetivo fortalecer as práticas pedagógicas de alfabetização, respeitando as especificidades culturais, linguísticas e territoriais dos povos originários.
Do total de participantes, 118 são da rede estadual e 27 das redes municipais. Os profissionais da rede estadual estão organizados em três turmas, com representantes das unidades escolares indígenas que ofertam os anos iniciais do Ensino Fundamental e suas respectivas extensões. A seleção prioriza professores com experiência em alfabetização.
Já os participantes das redes municipais integram uma turma voltada à Educação Infantil, na etapa da pré-escola.
Além de Maurilândia do Tocantins, São Bento do Tocantins e Tocantinópolis, a relação de municípios com professores participantes inclui Formoso do Araguaia, Goiatins, Itacajá, Lagoa da Confusão, Pium, Santa Fé do Araguaia, Sandolândia e Tocantínia.
O ciclo também conta com a participação de supervisores indígenas das Superintendências Regionais de Ensino (SREs), fortalecendo a articulação entre formação continuada, acompanhamento pedagógico e as realidades vivenciadas pelas comunidades escolares.
Práticas pedagógicas e valorização cultural

A programação contempla estudos teóricos e oficinas pedagógicas nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática, articulados aos saberes indígenas. As atividades valorizam a cultura, o território, as narrativas tradicionais e os conhecimentos dos povos originários, incentivando a troca de experiências entre os educadores e a construção de estratégias de ensino contextualizadas às diferentes realidades escolares.
O diretor de Educação dos Povos Originários e Tradicionais da Seduc, Amaré Brito, destacou a importância da formação para compartilhar experiências e práticas pedagógicas desenvolvidas ao longo do ano letivo.
“É uma formação para todas as escolas indígenas, e nela tratamos sobre aprendizagem e sequências didáticas, com cada povo apresentando seus trabalhos. É mais uma formação que traz as boas práticas desenvolvidas nas escolas e que serão compartilhadas com todos os participantes”, ressaltou.
Formação aborda proteção de crianças e adolescentes

A programação também inclui a palestra Proteção integral de crianças e adolescentes no ambiente escolar indígena: marcos legais nacionais, direitos humanos e o papel protetivo do educador, ministrada pela técnica da Seduc Elis Sodré.
A atividade aborda a responsabilidade compartilhada entre família, sociedade e Estado na garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, considerando os marcos legais e as particularidades das comunidades indígenas.
“Estamos tratando aqui do direito e de como ele deve ocorrer na realidade de cada comunidade, tendo como base os marcos legais, sobretudo os direitos humanos e a nossa Constituição Federal, que estabelece ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, uma série de direitos fundamentais e protegê-los contra qualquer forma de violência ou exploração”, enfatizou Elis Sodré.
A participação dos formadores locais das Superintendências Regionais de Ensino contribui para aproximar os conteúdos da formação das experiências e necessidades de cada povo indígena do Tocantins.
O professor Júlio Kamêr Ribeiro Apinajé, formador local do povo Apinajé na Superintendência Regional de Ensino de Tocantinópolis, ressaltou que o respeito às particularidades culturais é fundamental para o desenvolvimento da educação escolar indígena.
“Esse é um momento que ocorre por causa do nosso povo indígena, cada um de nós com suas histórias, que fazem com que essas ações de formação ocorram. Assim, cada povo respeita suas especificidades. É dessa forma que fazemos nossa formação escolar indígena para atender cada povo indígena do Tocantins”, pontuou.
A formadora local Taís Pôcuhtô Krahô Silva, da Superintendência Regional de Ensino de Pedro Afonso, destacou a importância do compartilhamento dos conhecimentos adquiridos durante o ciclo formativo para o fortalecimento do trabalho nas comunidades.
“Aqui nós compartilhamos conhecimentos que levamos para nossa comunidade. Espero que essas formações continuem ocorrendo em todas as gestões para nosso povo, com projetos envolvendo nossos formadores”, afirmou.
Já a formadora local Edirene Tkidi Xerente, de Tocantínia, ressaltou a contribuição das atividades para o aprimoramento das práticas de alfabetização e o intercâmbio de experiências entre as unidades escolares.
“Vamos aprender bastante, principalmente sobre didática de ensino. Vamos trabalhar com sequências didáticas e, assim, trocar informações com diferentes escolas. Isso é importante porque conhecemos o que cada escola faz e, a partir disso, podemos fazer adaptações para nossas realidades”, destacou.
O II Ciclo Formativo do Alfabetiza Mais TO reforça a importância da formação continuada dos profissionais da educação e da valorização dos conhecimentos dos povos originários, contribuindo para o desenvolvimento de práticas pedagógicas contextualizadas nas escolas indígenas do Tocantins.








