
O poraquê, conhecido como peixe-elétrico, passou a chamar a atenção após a morte de um agricultor de 54 anos em Sampaio, na região do Bico do Papagaio. Segundo a polícia, Manoel Rodrigues dos Santos sofreu uma descarga elétrica enquanto fazia a limpeza de um açude no povoado Bacuri, na última quarta-feira (16).
O caso levantou dúvidas sobre as características e os riscos oferecidos pelo animal, que vive em ambientes de água doce e é encontrado principalmente em rios e áreas alagadas da região amazônica.
Descarga pode chegar a 860 volts
De acordo com o biólogo Hugo Buratti, o poraquê pode produzir descargas elétricas que variam de aproximadamente 300 a 860 volts. A eletricidade é liberada em pulsos rápidos, que podem ocorrer de forma repetitiva.
O choque pode provocar contrações musculares intensas, dormência e desorientação. Segundo o especialista, a descarga elétrica não costuma causar a morte de uma pessoa de forma direta, mas o atordoamento provocado pelo choque pode aumentar o risco de afogamento quando a vítima está dentro da água.
Por isso, em situações como a registrada em Sampaio, o risco pode estar relacionado não apenas à descarga, mas também às consequências que ela provoca sobre a pessoa dentro do ambiente aquático.
Peixe pode chegar a 2,5 metros
O poraquê pertence ao grupo dos peixes elétricos e pode alcançar até 2,5 metros de comprimento, sendo uma das maiores espécies desse grupo.
O animal não possui escamas e vive em ambientes de água doce. Na região Norte, é encontrado em rios e outros locais com características favoráveis à sua sobrevivência.
Existem centenas de espécies de peixes elétricos registradas no Brasil, mas o poraquê se destaca pela capacidade de produzir uma das maiores descargas elétricas entre elas.
O nome “poraquê” tem origem no tupi antigo e está relacionado à ideia de “o que faz dormir” ou “o que entorpece”, em referência ao efeito provocado pela descarga elétrica.
Para que o poraquê usa a eletricidade?
A eletricidade produzida pelo animal não serve apenas para defesa. Segundo o biólogo, ela também pode ser utilizada para capturar presas, localizar-se e se orientar em ambientes com pouca visibilidade, além de auxiliar na percepção do ambiente e na comunicação.
A intensidade da descarga não está necessariamente relacionada ao tamanho do peixe. A capacidade elétrica varia de acordo com a espécie e com a necessidade do animal.
Cuidados dentro da água
Um dos principais cuidados é evitar entrar em locais onde haja possibilidade de presença de peixes elétricos, especialmente quando a água apresenta pouca visibilidade.
O uso de botas ou outros equipamentos, por si só, não garante proteção contra uma descarga, já que a eletricidade pode se propagar pela água e atingir o corpo.
Entre as orientações estão:
- Evitar entrar em água turva, muito profunda ou com correnteza forte;
- Não entrar sozinho em locais de risco;
- Evitar áreas próximas a troncos, galhadas, pedras e vegetação muito fechada;
- Não mexer em tocas, margens ou vegetação submersa;
- Manter crianças sempre acompanhadas e sob supervisão em ambientes aquáticos.
O caso de Sampaio reforça a importância de atenção durante atividades realizadas dentro ou próximas de açudes, rios e outros ambientes de água doce onde o poraquê possa estar presente.





