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29/05/2019 - 21h27m

AÇÃO EDUCATIVA

Reeducandos de Tocantinópolis participam de clube de leitura e debatem obras literárias

Projeto tem grande procura entre os reeducandos e proporciona remição de pena por leitura

Educação é um direito de todos e através da mesma é possível promover a ressocialização. Pensando nisso, a Cadeia Pública de Tocantinópolis em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus Tocantinópolis, desenvolve uma ação educativa para incentivar a leitura entre os reeducandos. Realizado como projeto de extensão do curso de pedagogia, o Clube de Leitura já está na sua terceira edição e oportuniza acesso a obras literárias para 15 reeducandos da unidade.

Os participantes do clube se reúnem aos sábados para leitura coletiva da obra selecionada, uma por mês. Neste semestre, foram escolhidas cinco peças teatrais do gênero comédia, que devem ser lidas até o dia 29 de junho. Os encontros ocorrem em uma sala específica para realização de atividades educativas, que proporciona uma melhor concentração para a leitura e elaboração de resenhas para a remição da pena.

A coordenadora do projeto, a professora Aline Campos, explica que a escolha de peças teatrais foi direcionada para facilitar o entendimento e a dinâmica da leitura coletiva. “Os próprios reeducandos relataram a dificuldade de concentração nas celas e na interpretação de algumas obras, dessa forma, optamos por realizar a leitura de forma coletiva em uma sala específica. As peças teatrais facilitam nesse processo e as escolhas são feitas a partir do diálogo com os reeducandos”, esclareceu.

O reeducando F.A.S, de 62 anos, que participa do clube há cerca de um ano, conta que a leitura em grupo facilita o entendimento sobre as obras escolhidas. “É muito significativo participar do clube, quando estamos juntos podemos tirar dúvidas e conversar sobre o tema do livro, tenho aprendido muitas coisas interessantes”, afirmou.

Para a professora a existência de espaços adequados para a realização de atividades ligadas à educação é facilitadora no processo de reinserção social. “Acreditamos que a literatura é uma prática humanizadora, dessa forma, a criação de espaços educativos é essencial para o processo de ressocialização”, concluiu.

O diretor da Cadeia Pública de Augustinópolis, Vinicius Lima Silva, avalia que o projeto é reconhecido pela comunidade carcerária e efetivo na remição de pena. “O projeto está bem estruturado e tem tido uma boa aceitação entre os reeducandos, com uma demanda crescente para participação, isso proporciona um acesso à literatura e a possibilidade de remição de pena”, relatou.

Participação da comunidade

O Clube de Leitura conta com a participação de dois professores do curso de Pedagogia, que atuam como coordenadores, e acadêmicos dos cursos de pedagogia, ciências sociais e educação física, que atuam como mediadores de leitura. Além disso, também há a participação de uma professora de educação física e de uma egressa do curso de pedagogia, colaboradoras do projeto.

A aproximação da comunidade acarreta em benefícios aos reeducandos e aos colaboradores, visto que, oportuniza a vivência dos mesmos em atividades ligadas a profissão escolhida. Nesse sentido, será lançado no final de junho o livro “Ler e Escrever na Prisão: experimentações em Tocantinópolis”, que visa socializar a comunidade com o do Clube de Leitura e retratar as experiências vividas no projeto. 

Resenha Crítica

As obras utilizadas no projeto são selecionadas semestralmente e ao final de cada edição todos os envolvidos recebem certificado departicipação emitido pela Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (PROEX) da UFT.  Para proporcionar maior entendimento dos assuntos tratados, os participantes elaboram uma resenha crítica ao final de cada obra lida.

As resenhas elaboradas passam por dupla correção, primeiramente são avaliadas pelos mediadores e depois pelos coordenadores do projeto. Após as devidas correções, as resenhas são encaminhadas para o juiz, proporcionando a remição de pena de quadro dias para cada obra lida no período de 30 dias, de acordo com a Lei de Execução Penal (LEP). (Vitória Soares)

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