
Empresários do setor de comunicação de Palmas relatam preocupação com o atraso no pagamento de campanhas publicitárias contratadas pela Prefeitura de Palmas e afirmam temer que a demora provoque prejuízos financeiros às empresas que já executaram os serviços.
Segundo relatos obtidos pela reportagem, há pagamentos pendentes relacionados a campanhas publicitárias e o atraso já se estende por vários meses. Os veículos de comunicação afirmam que as divulgações foram realizadas conforme as demandas encaminhadas pelas agências responsáveis pelas campanhas, enquanto as notas fiscais foram emitidas e as obrigações tributárias decorrentes dos serviços foram cumpridas.
A situação envolve campanhas de diferentes períodos. Segundo informações repassadas ao setor, existem pendências inclusive relacionadas a campanhas executadas até 2025. Já em relação às campanhas de 2026, a justificativa apresentada pela Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) é de que os processos estão “sob análise e revisão”.
O problema, segundo os empresários, é que essa resposta vem sendo repetida há meses, sem uma previsão concreta para a conclusão dos procedimentos e para a efetiva liberação dos pagamentos.
Veículos dizem ter cumprido todas as etapas
O modelo de contratação utilizado pela Prefeitura de Palmas envolve a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), as agências de publicidade contratadas pelo município e os veículos responsáveis pela divulgação das campanhas.
Na prática, as agências encaminham aos portais, emissoras de rádio e televisão as demandas de publicidade institucional. Os veículos realizam a divulgação, apresentam a documentação necessária e aguardam o processamento financeiro para que os valores sejam repassados.
Empresários ouvidos pela reportagem afirmam que as campanhas foram efetivamente executadas, dentro do planejamento estabelecido nas contratações.
As empresas também alegam ter cumprido as exigências fiscais, incluindo a emissão das respectivas notas fiscais e o recolhimento dos impostos incidentes sobre os serviços.
Ou seja, segundo os empresários, os custos da operação já foram assumidos pelas empresas, enquanto os pagamentos correspondentes continuam pendentes.
“Sob análise e revisão”: resposta que se repete, mas sem previsão
Um dos principais motivos de insatisfação entre os empresários é a falta de uma previsão concreta para a liberação dos pagamentos.
Ao serem procurados pelos veículos de comunicação, representantes da Secom têm informado repetidamente que os processos referentes às campanhas de 2026 estão “sob análise e revisão”.
A resposta, segundo empresários ouvidos pela reportagem, vem sendo dada de forma recorrente, mas sem que seja apresentada uma data para conclusão da análise, liberação dos processos ou efetivo pagamento dos serviços já realizados.
Na avaliação dos empresários, o problema é justamente a ausência de avanço perceptível: os veículos recebem a mesma justificativa, enquanto os meses passam e os valores continuam pendentes.
A situação tem gerado irritação e insegurança no setor, especialmente porque as empresas já executaram as campanhas, emitiram as notas fiscais e cumpriram as obrigações tributárias relacionadas aos serviços.
Para os empresários, dizer que os processos continuam “sob análise e revisão”, sem informar o que está sendo analisado, qual é a eventual pendência, em que etapa cada processo se encontra e quando o pagamento poderá ocorrer, não resolve a situação financeira das empresas.
Agências de publicidade não são apontadas como responsáveis
Os empresários ouvidos pela reportagem fazem questão de destacar que as agências de publicidade responsáveis pela intermediação das campanhas não são apontadas como responsáveis pelos atrasos.
Segundo informações repassadas pelas próprias agências aos veículos, a documentação necessária teria sido apresentada e os procedimentos seguem o fluxo administrativo previsto.
As agências também informam aos veículos que aguardam os pagamentos da Prefeitura para que possam realizar os respectivos repasses às empresas de comunicação.
Dessa forma, segundo os relatos obtidos pela reportagem, a cadeia de pagamento funciona da seguinte maneira: a Prefeitura de Palmas precisa efetuar o pagamento às agências; posteriormente, as agências fazem o repasse aos portais, rádios e emissoras que efetivamente executaram as campanhas.
Por isso, empresários afirmam que não consideram correto transferir às agências a responsabilidade por uma demora que, segundo as informações recebidas, estaria relacionada à tramitação e à liberação dos processos dentro da própria administração municipal.
Informações diferentes aumentam a insegurança
Outro fator que tem provocado insatisfação é a diferença entre as informações recebidas pelos veículos.
Enquanto a Secom afirma que os processos de 2026 estão “sob análise e revisão”, as agências de publicidade informam aos veículos que a documentação e os procedimentos necessários estariam regulares e que aguardam o andamento e a liberação por parte da administração municipal.
Em contatos com os veículos, também teria sido informado que os processos precisam retornar da Secretaria da Fazenda (Sefaz) para que sejam conferidos e, posteriormente, possam ser encaminhadas novas campanhas.
O que os empresários questionam, entretanto, é quanto tempo essa análise ainda deverá durar.
Até o momento, segundo os relatos recebidos pela reportagem, não existe uma previsão objetiva para a conclusão dos procedimentos nem para o pagamento dos serviços já executados.
Processos teriam avançado, mas dinheiro ainda não chegou
Informações recentes obtidas pelo setor indicam que processos administrativos referentes às campanhas publicitárias teriam avançado dentro da estrutura da Prefeitura de Palmas e passado por setores responsáveis pela tramitação financeira.
A movimentação chegou a gerar expectativa entre os empresários de que os pagamentos finalmente seriam liberados.
Entretanto, segundo informações repassadas à reportagem, os valores ainda não teriam sido efetivamente encaminhados para pagamento das agências.
Sem o repasse da Prefeitura, as agências também ficam impossibilitadas de realizar a liquidação dos valores junto aos veículos de comunicação.
O resultado é uma cadeia de pagamentos represada: a Prefeitura precisa pagar as agências, e as agências, posteriormente, precisam repassar os valores aos portais, rádios e emissoras que realizaram as divulgações.
Temor de calote aumenta entre empresários
O prolongamento da situação fez crescer entre os empresários o temor de que o atraso deixe de ser apenas uma pendência administrativa e resulte em um prejuízo financeiro ainda maior para as empresas.
Há preocupação de que, diante da ausência de uma previsão concreta para a liberação dos recursos, os veículos acabem sem receber por serviços que já foram integralmente prestados.
O receio é particularmente significativo entre empresas de menor porte, que possuem menor capacidade de absorver meses de inadimplência.
Para esses veículos, a publicidade institucional representa uma importante fonte de receita, e atrasos prolongados interferem diretamente no fluxo de caixa.
Empresários destacam que não se trata de serviços futuros ou de campanhas que ainda serão executadas. As divulgações já ocorreram, a documentação fiscal foi apresentada e os tributos foram recolhidos.
Mesmo assim, os valores continuam pendentes.
Prejuízo ultrapassa o caixa das empresas
O impacto financeiro não se limita aos proprietários dos veículos de comunicação.
Portais de notícias, emissoras de rádio e televisão mantêm estruturas permanentes que envolvem jornalistas, técnicos, operadores, produtores, equipes administrativas, hospedagem de sites, equipamentos, energia elétrica, transmissão, tecnologia e manutenção.
Quando um pagamento previsto não é realizado durante meses, as empresas precisam utilizar recursos próprios ou outras fontes de receita para manter suas atividades.
Para empresas com menor capacidade financeira, a demora pode comprometer diretamente o fluxo de caixa e a capacidade de honrar compromissos.
Com meses de atraso, empresários afirmam que a situação passou a representar uma preocupação concreta para a sustentabilidade financeira de algumas empresas.
Mudança na Comunicação também é questionada
Além dos pagamentos pendentes, empresários e representantes de veículos relatam dificuldades para obter informações mais detalhadas sobre o andamento dos processos junto à Secretaria Municipal de Comunicação.
Um dos veículos que acompanha a situação afirma estar há quase 14 anos no mercado e relata que, após a mudança no comando da Secom, deixou de ser contemplado em novas campanhas publicitárias.
O veículo também relata dificuldades para conseguir uma reunião direta com a atual secretária responsável pela pasta.
Segundo o relato, os contatos costumam ser intermediados pela chefia de gabinete, que frequentemente informa que a secretária está em Brasília ou em viagem.
A reportagem registra a reclamação dos empresários diante da dificuldade de acesso à titular da pasta e de obter informações objetivas sobre os processos e pagamentos.
“Já lhe respondi”
Outro ponto relatado por veículos de comunicação é a dificuldade de obter respostas mais detalhadas sobre as pendências.
Segundo os relatos, quando representantes de empresas procuram a Secom ou a chefia de gabinete para questionar a situação dos pagamentos e das notas fiscais, recebem respostas consideradas insuficientes pelo setor.
Em alguns contatos, conforme informado à reportagem, a resposta teria sido: “Já lhe respondi.”
Empresários afirmam que, ao mesmo tempo, as agências responsáveis pelas campanhas informam aos veículos que a documentação estaria regular e que os processos seguem em tramitação.
A divergência entre as informações recebidas pelos veículos e as respostas da administração municipal é um dos fatores que aumentam a insegurança no setor.
Setor cobra transparência e prazo
Diante do cenário, empresários defendem que a Prefeitura de Palmas apresente informações objetivas sobre a situação dos processos.
Entre os esclarecimentos esperados estão o número de processos pendentes, os valores envolvidos, os períodos a que cada pagamento se refere, a etapa de tramitação de cada processo e uma previsão para a efetiva liberação dos recursos.
Também há cobrança por esclarecimentos sobre os pagamentos referentes a campanhas já executadas e sobre os procedimentos adotados para a revisão das campanhas de 2026.
Para o setor, uma definição oficial é importante não apenas para os proprietários dos veículos, mas também para os profissionais e fornecedores que dependem do funcionamento dessas empresas.
O que dizem empresários, agências e Secom
Empresários: afirmam que as campanhas foram executadas, as notas fiscais foram emitidas, os tributos foram recolhidos e que o atraso vem causando dificuldades financeiras às empresas. Reclamam principalmente da falta de previsão para os pagamentos.
Agências de publicidade: segundo informações repassadas aos veículos, não haveria responsabilidade das agências pelo atraso. Elas também aguardariam o pagamento por parte da Prefeitura para realizar os repasses aos veículos de comunicação que prestaram os serviços.
Secom: informa que os processos referentes às campanhas de 2026 estão “sob análise e revisão” e que os procedimentos precisam seguir a tramitação administrativa, incluindo o retorno e a conferência dos processos pela Secretaria da Fazenda.
A questão central que permanece sem resposta, segundo os empresários, é: quando os processos serão efetivamente concluídos e quando os valores referentes aos serviços já prestados serão pagos?
Prefeitura será novamente cobrada por esclarecimentos
A reportagem continuará buscando informações junto à Prefeitura de Palmas e à Secretaria Municipal de Comunicação sobre os valores pendentes, a quantidade de processos, os períodos a que se referem os pagamentos e uma previsão concreta para a regularização.
Também será solicitado esclarecimento sobre quais são, efetivamente, as pendências que mantêm os processos “sob análise e revisão” e por que não é apresentada uma data para conclusão dos procedimentos.
Enquanto aguardam uma solução, empresários afirmam que continuam arcando com os custos de serviços já realizados e com as obrigações fiscais decorrentes das operações.
O temor manifestado pelo setor é de que uma demora inicialmente tratada como questão administrativa se prolongue ainda mais e acabe produzindo um impacto financeiro significativo em empresas que, segundo seus representantes, já cumpriram integralmente sua parte na execução das campanhas publicitárias.





