
Docentes e acadêmicos dos cursos de Letras e Pedagogia/Câmpus Araguatins da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) participaram na última quarta-feira, 7, de um cine-debate em alusão aos 40 anos do assassinato de padre Josimo Morais Tavares.
O momento, organizado pela Paróquia Jesus Bom Pastor em parceria com a Unitins, também reuniu membros da comunidade, discentes do curso de Engenharia Agronômica do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), turma do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), e integrantes de associações da região.
A mesa de debate foi composta pelo docente Rafael Furtado, representando a Unitins, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (STTR) de Esperantina, São Sebastião do Tocantins e Buriti do Tocantins, Maria Senhora Carvalho e pelo pároco da Paróquia Jesus Bom Pastor, Ramildo José Pereira Gomes.
Durante a ação, os participantes também relataram suas histórias e aprendizados deixados por padre Josimo Tavares, que se tornou uma figura emblemática para a sociedade, por conta da sua luta e expressão da sua religiosidade em defesa dos trabalhadores rurais da região do Bico do Papagaio.

“Falar de Padre Josimo é falar também da minha vida, do meu processo acadêmico, de jovem que veio do interior do Ceará, de uma mãe que era coordenadora de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), e foi nas CEBs no Cariri Cearense, a década de 90, que eu escutava sobre Josimo, sobre dona Raimunda quebradeira de coco e sobre o Bico do Papagaio. Então, quando venho ao Tocantins, como professor na Universidade Estadual do Tocantins, e para o Bico do Papagaio, carrego essas lembranças daquela roda de partilha das CEBs, quando nós íamos à vários lugares”, comentou o docente da Unitins, Rafael Furtado.
A presidente do STTR, Maria Senhora Carvalho, esteve ao lado de padre Josimo Tavares ao longo de sua atuação na região. “Quando o padre Josimo chegou no Bico do Papagaio, as discussões e lutas cresceram mais ainda, pois houve grandes conflitos de terra na época. Mas, ele ajudou muito nós trabalhadores, aqui (no cine-debate), encontramos pessoas que participaram dessa discussão, e da libertação do povo do Bico do Papagaio. Muitos já se foram, mas nós permanecemos e nossa proposta é fazer com que essa terra seja nossa, ela é rica, tem mulheres e homens trabalhadores, há muita água e terra que não podem ser um território de fome”, mencionou.

Em seu discurso, o padre Ramildo Gomes contou um pouco da história, trajetória e cenário que padre Josimo encontrava ao chegar na região. “Ao assumir o primeiro trabalho pastoral na Paróquia Santo Antônio em Wanderlândia/GO, ele era um padre dito normal. Mas, na paróquia em Wanderlândia, ele foi para ser professor, para cuidar de uma escola, que era o papel da igreja na época. Nós tivemos naquele período várias escolas paroquiais. Araguatins teve uma escola paroquial, São Vicente Ferrer”, explicou.
As falas também se estenderam para os participantes. Cicera Soares, foi uma das fiéis que acompanhava de perto os trabalhos do religioso. “Tem hora que a fala não sai, porque nós convivemos muito tempo juntos, nem a perda dos meus pais dói tanto quanto a perda do nosso querido padre Josimo, porque ele nos ensinou muitas coisas. No dia primeiro de maio, falei para meu marido, ‘olha, hoje, após 40 anos estou lembrando quando nós fazíamos aquela passeata com os irmãos na cidade de Buriti/TO, ele ia na frente, e havia muitas pessoas atrás o seguindo”, relembrou.
Para os acadêmicos, a ação foi uma oportunidade de aprender sobre uma figura histórica e social. “O cine-debate sobre a história do padre Josimo, foi um momento muito legal e rico em aprendizado, conhecemos sua trajetória de vida e luta pelos que precisaram. Padre Josimo foi um ser humano gigante em atitude e obras, sua história merece ser contada para que outros possam se exemplar”, destacou a discente do 1º período de Pedagogia, Maria Laura.
“O cine-debate em memória de padre Josimo Tavares representa um momento de profunda reflexão histórica, social e humana para nossa comunidade acadêmica. A participação dos cursos de Letras e Pedagogia reafirma o compromisso da universidade com a formação crítica, cidadã e sensível às lutas do povo do Bico do Papagaio. Promover espaços como este fortalece o diálogo entre universidade, movimentos sociais e comunidade, mantendo viva a memória e a importância da luta por direitos e justiça social”, afirmou o diretor do Câmpus Araguatins, Sérgio Mendes.
Quem foi padre Josimo Tavares?

Josimo Morais Tavares, nasceu em Marabá/PA em 1953. Com a grande enchente de 1957 seus pais se mudaram para Xambioá/GO, onde viveu até os 11 anos de idade, saindo de lá para entrar no Seminário Menor Leão XIII, em Tocantinópolis, dirigido pelos padres Orionitas.
Estudou filosofia no Instituto Filosófico dos Salesianos em Lorena/SP. Em 1975, vai para Petrópolis/RJ, estuda no Instituto Franciscano de Teologia e Filosofia. Neste mesmo ano conhece a Teologia da Libertação, pelas palavras e vivência do então Frei Leonardo Boff.
Em janeiro de 1979 foi ordenado na cidade de Xambioá, um mês depois, assumiu com outro padre a paróquia e o colégio de 1° e 2° grau de Wanderlândia/GO. No mês de junho o padre foi para Itália e não voltou, então Josimo teve que assumir todo o trabalho, inclusive a pastoral da terra. Foi coordenador da Pastoral da Juventude e depois coordenador da Pastoral Geral da Diocese.
Transferido para a Paróquia São Sebastião, no Tocantins, lá foi vigário e coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da diocese de Tocantinópolis. No dia 15 de abril de 1986 sofreu um atentado, mas as balas ficaram na porta do carro que estava. Em 10 de Maio de 1986, padre Josimo Morais Tavares, foi assassinado em Imperatriz/MA, quatro mil camponeses, religiosos, cinquenta sacerdotes e dez bispos acompanharam o corpo de Josimo até o cemitério. (Com informações do site Irmandade dos Mártires)











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