Uma operação da Polícia Civil realizada na manhã desta quinta-feira (12) colocou o município de Tocantinópolis, no centro de uma investigação sobre um suposto esquema de desvio milionário de recursos públicos destinados ao esporte. A ação cumpriu oito mandados de busca e apreensão e teve como alvos o prefeito da cidade, Fabion Gomes (PL), e o presidente do Tocantinópolis Esporte Clube (TEC), o sargento da Polícia Militar Leandro Pereira de Sousa.
Batizada de Operação 2º Tempo, a investigação apura a possível utilização do clube esportivo para desvio de recursos públicos municipais. De acordo com a Polícia Civil, o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 5,1 milhões.
Os mandados foram cumpridos em diversos endereços ligados aos investigados, incluindo residências, a sede do Tocantinópolis Esporte Clube e setores da Prefeitura Municipal. Entre os locais alvos das buscas estão as secretarias de Juventude, Esporte e Lazer, Administração, Finanças e Meio Ambiente, além do Gabinete do Prefeito e do setor de Controle Interno.
Suspeita de esquema com três frentes
Segundo as investigações, o suposto esquema teria funcionado em três frentes principais.
A primeira envolve repasses irregulares de recursos públicos ao clube, autorizados por gestores municipais mesmo após decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que apontavam a ilegalidade dessas transferências.
O segundo eixo investigado aponta que o clube teria sido utilizado como estrutura de fachada, com a possível produção ou alteração de documentos, como atas e recibos, para dar aparência de legalidade às transferências financeiras que não teriam relação comprovada com atividades esportivas ou interesse público.
Já a terceira frente envolve a movimentação posterior dos valores. De acordo com a polícia, após serem transferidos para contas da entidade esportiva, os recursos teriam sido redistribuídos para contas pessoais de dirigentes e terceiros, além da realização de saques em dinheiro, o que pode dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Investigação começou com relatórios financeiros
As apurações tiveram início a partir de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram movimentações consideradas suspeitas envolvendo recursos destinados ao clube.
De acordo com os investigadores, o fluxo de repasses sob investigação remonta a 2009 e teria se estendido até 2024.
O Tribunal de Contas do Estado já havia apontado irregularidades nessas transferências ainda em 2007, quando considerou irregular a prestação de contas daquele exercício e destacou a ausência de autorização legal para o envio de recursos públicos ao clube.
Operação mobilizou dezenas de policiais
Para o cumprimento das ordens judiciais, a Polícia Civil mobilizou 34 policiais civis, entre investigadores e peritos. Durante as diligências foram apreendidos documentos administrativos, registros contábeis e dispositivos eletrônicos que poderão ajudar no avanço das investigações.
Como um dos investigados é policial militar da ativa, a Polícia Militar do Tocantins também prestou apoio durante a operação.
O nome “2º Tempo” faz referência ao segundo tempo de uma partida de futebol e simboliza, segundo a polícia, a continuidade das ações de enfrentamento a esquemas ilícitos que teriam utilizado o esporte como instrumento para práticas ilegais.
O prefeito Fabion Gomes afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais que, durante sua gestão, os pagamentos ao clube foram suspensos por decisão judicial. Segundo ele, repasses feitos anteriormente teriam ocorrido com base em legislação municipal vigente à época.










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