
O Tocantinópolis Esporte Clube (TEC) foi alvo da operação 2º Tempo, nesta quinta-feira (12), que cumpriu oito mandados de busca e apreensão na cidade homônima ao time. Os repasses recebidos do município são alvos de investigação (entenda abaixo). O clube é o segundo maior campeão do Campeonato Tocantinense, com seis taças, e teve campanha histórica na Copa do Brasil e na Série D em 2022.
O grupo investigado conta com Fabion Gomes de Sousa e Paulo Gomes de Sousa (PL). Wagner Pereira Novais, ex-gestor do clube, e Leandro Pereira de Sousa, que é o atual presidente do TEC, também figuram no processo.
O clube recebeu mais de R$ 5,1 milhões desde 2009. Também foram realizadas buscas na sede do Tocantinópolis, em secretarias do município e no gabinete do prefeito. Saiba abaixo o que dizem os envolvidos na operação e detalhes do esquema.
O clube, que tem sede própria, foi fundado em 1989 na cidade homônima, que tem população de 23.225 habitantes. O Tocantinópolis é o segundo maior vencedor do estado, com seis títulos tocantinenses (1993, 2002, 2015, 2021, 2022 e 2023), sendo o primeiro ainda na época amadora.
Na atual temporada, o Tocantinópolis avançou à semifinal do Tocantinense de forma invicta — em sete jogos, foram seis vitórias e um empate. Na Copa do Brasil, estreou na 2ª fase e acabou eliminado pela Tuna Luso-PA.

Entenda o esquema
Segundo a polícia, o fluxo de repasses investigado ocorre de forma contínua desde 2009, estendendo-se até 2024. As irregularidades eram de conhecimento das autoridades desde 2007, quando o TCE/TO julgou irregular a prestação de contas daquele ano devido à ausência de autorização legal para as transferências.
As apurações da Polícia Civil foram fundamentadas em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A investigação apontou que desvio de verbas era estruturado em três eixos principais:
Repasses irregulares: Gestores municipais autorizavam a transferência de recursos públicos ao clube, ignorando decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO) que já haviam apontado a ilegalidade de tais atos.
Entidade de fachada: Para a polícia, o clube era utilizado como uma estrutura de fachada, com a falsificação de documentos, como atas e recibos, para simular a legalidade das transferências, que não possuíam relação com o interesse público ou atividades esportivas reais.
Lavagem de dinheiro: Após chegarem às contas do clube, os valores eram redistribuídos para contas pessoais de dirigentes e terceiros, além da realização de saques em espécie para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Para o cumprimento das diligências, foram mobilizados 34 policiais civis, entre investigadores e peritos. Os mandados foram cumpridos em locais estratégicos, incluindo setores da Prefeitura Municipal de Tocantinópolis.
Entre os investigados está um policial militar da ativa, o que levou a Polícia Militar do Tocantins a prestar apoio durante a operação. Documentos administrativos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis foram apreendidos para subsidiar a continuidade das investigações.
O nome da operação faz alusão à continuidade do combate a esquemas ilícitos que utilizam o esporte como instrumento para práticas criminosas.
Posicionamento do atual presidente do Tocantinópolis
É, com relação a essa situação aí e do que que está sendo investigado, é um possível repasse que o Tocantinópolis Esporte Clube (TEC) receba da Prefeitura de Tocantinópolis através de uma lei municipal, lei essa que vem desde a fundação do clube, em que a prefeitura municipal, autorizada pela Câmara Municipal, fazia um repasse mensal de 30 salários mínimos para o Tocantinópolis Esporte Clube.
Com relação a esses repasses, essa lei em dezembro, mais especificamente dezembro de 2024, antes de eu ser presidente, ter a eleição para presidente, tinha uma liminar aonde suspende esse repasse. E dali então não foi mais feito repasse.
Depois que eu assumi a presidência e o prefeito Fabion Gomes, que assumiu também em janeiro de 2025, a prefeitura não teve repasse. O Tocantinópolis Esporte Clube, nesse um ano e três meses que estão fazendo agora de mandato, não teve nenhum repasse público de nada. Hoje, o Tocantinópolis não tem convênio nenhum com a prefeitura municipal de Tocantinópolis.
Posicionamento do prefeito Fabion Gomes
O prefeito Fabion Gomes (PL) informou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que os pagamentos ao time foram cancelados durante sua gestão por ordem judicial, mas os repasses de gestões anteriores foram feitos com base em uma lei municipal.
Foi tentado o posicionamento do Tocantinópolis Esporte Clube e para o ex-gestor Wagner Pereira Novais, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
Nota de Paulinho, ex-prefeito e ex-presidente do clube
O TEC carrega uma história de vitórias, conquistas e grandes campanhas no futebol tocantinense. Como clube do interior, sempre representou com orgulho a nossa cidade e deu contribuição decisiva ao Campeonato Estadual. Talvez por isso tenha enfrentado tantos adversários dentro e fora de campo.
A verdade e uma so: nenhum time do interior sobrevive sem o apoio do poder público municipal. E nós não vamos desistir do time da cidade. O TEC é orgulho do nosso povo.
Defender o esporte é defender a juventude, é afastar nossos jovens das drogas, da prostituiçao e de caminnos sem futuro. Atacar financeiramente o Clube é tentar enfraquecê-lo, torná-lo menos competitivo e calar uma das instituições esportivas mais relevantes do Estado.
Seguiremos firmes, apoiando os campeonatos municipais e lutando até o último momento pelo TEC, pela nossa história e pelo orgulho do nosso povo.







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