A suspeita de nepotismo na Prefeitura de Santa Terezinha do Tocantins resultou em uma série de exonerações e rescisões de contratos envolvendo parentes de autoridades municipais. O caso, que apontava indícios de favorecimento dentro da administração pública, acabou sendo arquivado pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) após a gestão municipal adotar medidas corretivas.
A decisão foi assinada pelo promotor de Justiça Saulo Vinhal da Costa, da 1ª Promotoria de Justiça de Tocantinópolis, na última segunda-feira, 30, após a Prefeitura comprovar que cumpriu as recomendações feitas pelo órgão.
A investigação teve início a partir de denúncia que listava ao menos 32 pessoas com vínculos familiares com agentes políticos do município. Entre os nomes citados estavam o prefeito Wanderley Sousa Santos, conhecido como “Irmão Doda”, o vice-prefeito João Gonçalves dos Santos, além de secretários e vereadores.
O relatório do Núcleo de Inteligência do MPTO confirmou a maior parte dos vínculos apontados, reforçando os indícios de nepotismo e levantando suspeitas também sobre contratações e participação de familiares em processos licitatórios.
Diante da gravidade das situações, o Ministério Público determinou prazo para que a Prefeitura adotasse providências imediatas. Após reunião com o prefeito, vice-prefeito e vereadores, o prazo foi mantido como improrrogável.
Demissões e contratos encerrados
Como resposta, a gestão municipal promoveu uma verdadeira “faxina administrativa”, com exoneração de servidores comissionados e cancelamento de contratos ligados a familiares de autoridades.
Entre os exonerados estavam a própria esposa do prefeito, que ocupava a Secretaria de Finanças, além de parentes de vereadores e outros agentes públicos que ocupavam cargos estratégicos na administração.
Também foram encerrados contratos com pessoas e empresas ligadas a familiares de autoridades, incluindo casos relacionados a licitações de alimentos, aluguel de veículos e fornecimento de materiais.
No núcleo ligado a vereadores, diversos parentes — como irmãos, esposas, cunhadas e até madrasta — foram afastados de funções públicas após a recomendação do MP.
Irregularidades reconhecidas, mas sem punição
Apesar da confirmação dos vínculos familiares em boa parte dos casos, o Ministério Público entendeu que as medidas adotadas pela Prefeitura foram suficientes para corrigir as irregularidades.
O órgão também avaliou que não houve comprovação de dano ao erário nem intenção deliberada de descumprir a legislação, o que levou ao arquivamento da investigação.
Algumas situações analisadas foram consideradas regulares, como a de um servidor efetivo que atua como gari e não se enquadra nas regras de nepotismo.
Caso encerrado
Com as exonerações e rescisões, o MPTO considerou que houve cumprimento integral da recomendação e decidiu encerrar o caso, destacando caráter “resolutivo” da atuação.
Mesmo com o arquivamento, o episódio expõe fragilidades na gestão pública municipal e levanta questionamentos sobre a prática de nomeações de parentes em cargos e contratos dentro da administração.








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