
A palestra “Por uma literatura além do colonial: A atualidade do pensamento literário anti-imperialista e suas polêmicas”, refletiu sobre os impactos e as mudanças que ocorreram na história do Brasil. O momento reuniu, na quadra de esportes do Câmpus Araguatins, acadêmicos e docentes dos cursos de Letras e Pedagogia da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), na última quinta-feira, 26.
Os docentes da Unitins Diego Grossi e Mayara Landim guiaram as discussões e apresentaram fatores críticos que modificaram as relações, o desenvolvimento, a cultura e a literatura no país, a partir das ações imperialistas. Foram pontuados a influência da narrativa europeia e o silenciamento dos brasileiros ao longo da história.
“É muito complexa essa situação histórica porque ela é cruel. Nós não tivemos voz, fomos silenciados, mudaram até nosso idioma, não conseguimos nos expressar, e nós fomos apagados da história. A tentativa era nos dizimar, ainda bem que em 1800, através de muitas lutas, conseguimos nos libertar da colonização europeia, mas veio as duras ditaduras das Américas. Sofremos muitas repressões violentas, patrocinadas pelo colonialismo e essas ditaduras nos silenciaram, na cultura, na identidade, e na literatura, a nossa história se perdeu. Houve uma necessidade de criar arte, cultura e identidade como espelho europeu”, comentou em seu discurso a docente do curso de Letras Mayara Landim.
Ao longo das discussões apresentadas, o docente do curso de Pedagogia e Letras Diego Grossi também pontuou as mudanças geradas no período colonial. “Nós temos essa ponte da literatura anti-imperialista como um elemento de diálogo interdisciplinar, que inclui a História, Literatura, Pedagogia e diversos outros campos que nós poderíamos abordar, como a própria arte, por exemplo. Quando nós, enquanto América Latina, somos dominados e explorados a partir do final do século XV, início do século XVI, com a chegada dos europeus, espanhóis e depois portugueses, temos toda uma estrutura voltada para atender os interesses desses colonizadores”, explicou o professor.
Para a coordenadora do curso de Letras, professora Luama Socio, o debate coloca os acadêmicos no centro de uma das questões mais relevantes da atualidade literária, “que é o fato de que, à altura histórica do século XXI, os países do chamado terceiro mundo, os quais foram estruturados pela colonização de culturas europeias, respondem à necessidade de imprimir identidade própria à cultura globalizada. Essa identidade própria passa pela valorização da cultura produzida pelos povos originários e pelos descendentes de escravizados africanos. É um tema complexo e desafiador, mas fundamental para a construção contínua da identidade brasileira como um todo e, mais especificamente, para a cultura do Tocantins”, afirmou.
A coordenadora do curso de Pedagogia, professora Ana Irene Carneiro, destacou a importância do debate para a formação crítica dos discentes, ressaltando que discutir a literatura sob uma perspectiva anti-imperialista amplia o olhar dos mesmos sobre a construção histórica e cultural do país. “Momentos como esse são fundamentais para que os futuros educadores compreendam as raízes das desigualdades e valorizem uma educação comprometida com a diversidade, a identidade e a história dos povos que constituem o Brasil”, mencionou.









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