Mais do que um alimento que fornece valor nutricional, a mandioca reúne saberes ancestrais relacionados às práticas de manejo e valores culturais que vêm desde séculos no passado, com os povos indígenas, passando pela contribuição do trabalho dos negros escravizados, até seu papel atual na culinária, agricultura familiar e identidade de diversas comunidades.
No Tocantins, o alimento é protagonista para muitas pessoas, em especial, agricultores, que têm no cultivo da mandioca uma importante fonte de renda. Com o objetivo de valorizar os saberes e as práticas tradicionais ligadas à mandioca e promover a sua preservação e a continuidade por meio dos mestres farinheiros e da sucessão familiar, o Campus Araguatins, do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), oferece o curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) Produtor de Mandioca: arte alimentar tradicional.
O curso é ofertado a professores da rede municipal de ensino de Araguatins, acadêmicos de licenciaturas e integrantes comunidade de agricultores familiares de reforma agrária que integram o Projeto de Assentamento (PA) Indiana. A aula inaugural foi realizada na sexta-feira, 13, no auditório do Campus Araguatins, onde estiveram presentes o público-alvo do curso, a equipe responsável pela sua realização, gestores do campus e autoridades locais.
O curso tem carga horária de 60 horas e as aulas serão ofertadas nos meses de fevereiro, março, abril e maio, quando será concluído. Durante esse período, os estudantes do curso receberão bolsa mensal de R$200 como forma de incentivo à participação, cuja formação se respalda pela Lei nº 10.639/2003, atualizada pela Lei nº 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino de história e culturas afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e privadas do Brasil, conforme explicou o responsável pelo curso, professor Paulo Hernandes Gonçalves.
O curso FIC integra o Programa Nacional Escola Nego Bispo, iniciativa do Ministério da Educação (MEC) que visa a oferta de 100 projetos de cursos de extensão sobre saberes tradicionais sob responsabilidade do Instituto Federal da Bahia (IFBA).
Manoel Mendes, um dos agricultores matriculados no curso, é mestre farinheiro no PA Indiana. Para ele, a presença do Programa Nego Bispo dentro do assentamento promove a valorização do conhecimento local/tradicional, criando um ambiente de intercâmbio entre o ensino e os produtores. “Isso fortalece a identidade cultural e os conhecimentos ancestrais sobre a mandioca”, disse o agricultor.












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