Com o objetivo de desarticular células de uma organização criminosa que atuavam em Palmas, a Polícia Civil do Tocantins deflagrou, nesta terça-feira, 27, uma operação policial contra integrantes de uma facção criminosa suspeita de formar um chamado “tribunal do crime”, utilizado para impor punições violentas a moradores da Capital.
A ação foi concentrada no setor Recanto das Araras I, região sul de Palmas, e mobilizou policiais civis de três unidades especializadas. Durante as diligências, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, além da prisão em flagrante de um homem pelo crime de receptação.
A ofensiva foi coordenada pela Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC – Palmas), com apoio operacional da Diretoria de Repressão ao Crime Organizado (DRACCO) e do Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE).
De acordo com o delegado-chefe da DEIC, Wanderson Queiroz, a investigação teve como foco o combate à prática criminosa conhecida como “tribunal do crime”, mecanismo adotado por facções para julgar, punir e intimidar moradores, impondo sanções violentas à margem da lei.
O inquérito policial teve início após a apuração de um crime registrado em fevereiro de 2025. Conforme as investigações, duas mulheres foram vítimas de uma emboscada e submetidas a agressões severas em uma residência utilizada como base pela facção. A violência teria sido motivada por uma acusação de furto de celular, considerada pelos criminosos como violação das “regras” impostas pelo grupo na região.
As vítimas foram submetidas a sessões de tortura e castigo, resultando em graves ferimentos. As investigações apontam ainda que os autores chegaram a filmar as agressões, com o objetivo de comprovar a execução das punições às lideranças da facção criminosa, de origem paulista.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais nesta terça-feira, equipes da DRACCO, DEIC e GOTE realizaram diligências em endereços estratégicos identificados ao longo da investigação. Em um dos locais, um homem foi preso em flagrante pelo crime de receptação.

A apuração revelou a existência de uma estrutura hierárquica dentro do grupo criminoso. Segundo a Polícia Civil, A.J.G.S., de 29 anos, e A.J.J.S., de 31 anos, atuariam como “disciplinas” ou lideranças responsáveis por ordenar e supervisionar as punições. Já P.H., de 26 anos, e Í.S., de 23 anos, seriam integrantes iniciados, encarregados de executar as agressões físicas, conhecidas como “correção paralela”.
Para o delegado Wanderson Queiroz, o modus operandi identificado caracteriza grave afronta ao Estado Democrático de Direito. “Trata-se de uma tentativa clara de estabelecer um ‘Estado paralelo’, no qual facções criminosas impõem suas próprias regras e punições, o que não será tolerado”, destacou.
O delegado ressaltou ainda que a atuação da Polícia Civil no combate ao crime organizado é contínua e sistemática. “A repressão não é eventual. É permanente. A Polícia Civil do Tocantins atua de forma integrada para garantir que o monopólio da justiça permaneça com o Estado. Não permitiremos que facções criminosas intimidem a população ou imponham suas próprias leis”, afirmou.
Segundo a autoridade policial, além das prisões, a presença das unidades especializadas nos bairros da Capital busca enfraquecer a logística operacional e financeira que sustenta essas organizações criminosas.
As investigações seguem em andamento para localizar e responsabilizar outros envolvidos. Os suspeitos identificados serão interrogados, e o inquérito policial deverá ser concluído nos próximos dias.










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